Um projeto, vários canais: que formato usar no feed, no story e no portal
Recortar a imagem horizontal para virar story joga fora dois terços do projeto. O que cada canal pede, e por que vertical se pede na geração.

O material de um lançamento nasce horizontal. O render sai em 16:9, a apresentação é horizontal, o site é horizontal. Mas metade dos lugares onde essa imagem vai trabalhar é vertical — story, reels, celular. E é aí que se perde projeto sem ninguém perceber.
O erro que custa mais: recortar
Pegar a perspectiva horizontal e recortar um retângulo vertical no meio dela é o caminho natural e o pior possível. Uma imagem 16:9 recortada para 9:16 conserva cerca de um terço da área original. Os dois terços que saem levam junto o paisagismo, a lateral do prédio, o pé-direito, a relação com o entorno — exatamente o que fazia a imagem valer.
E sobra o pior dos dois mundos: um pedaço de projeto, esticado na tela do celular, sem composição.
O caminho certo é o contrário: envie a imagem inteira e peça o formato vertical na geração. A cena precisa ser redesenhada para o vertical — a câmera sobe, o enquadramento se reorganiza, o que estava na lateral entra por cima ou por baixo. Para fazer isso é preciso ver o projeto todo, e é justamente o que o recorte prévio impede. Sobre isso há uma lista de cuidados em como preparar a imagem do projeto.
O que cada canal pede
- 16:9 e 21:9 (horizontal). Apresentação, site, capa de e-mail, painel de stand. O 21:9 é panorâmico: excelente para fachada longa e implantação, ruim para ambiente interno, onde ele corta o pé-direito.
- 4:5 (vertical suave). É o formato mais eficiente do feed: ocupa mais tela que o quadrado sem parecer story. Se você só puder produzir um formato vertical, produza este.
- 1:1 (quadrado). Grade de perfil e catálogo. Seguro e neutro, some rápido.
- 9:16 (vertical cheio). Story e reels. Tela inteira, no escuro, geralmente no fim do dia — é onde imagem noturna funciona melhor.
- 5:4 (quase quadrado). Impresso, folder, painel. Proporção antiga de fotografia, boa para composição centrada.
Portal imobiliário: a capa decide o clique
No portal, a primeira imagem não é ilustração: é botão. Ela aparece em miniatura, ao lado de outras dezenas, e o cliente decide em menos de um segundo se entra.
Três coisas ajudam nessa miniatura:
- Contraste de forma. Uma imagem com sombra desenhada e volume claro continua legível pequena. Uma imagem plana, sem hierarquia de luz, vira uma manchinha cinza.
- Um assunto só. Miniatura não tem espaço para composição complexa. Fachada, ou a piscina, ou a varanda — não os três.
- Horizontal. Quase todo portal recorta a capa em horizontal. Mandar vertical ali é entregar o recorte para o algoritmo fazer.
Guarde as verticais e os detalhes para a galeria interna, onde há espaço para eles.
O detalhe é o formato-camaleão
Uma imagem de textura — o revestimento da piscina, a madeira do brise, a pedra da bancada — sobrevive a qualquer proporção. Não há composição a destruir: qualquer recorte continua sendo aquele material, na mesma luz.
Isso faz da imagem de detalhe a peça mais reaproveitável do pacote: ela serve de fundo de story, de capa de destaque, de intervalo entre duas fotos na galeria, de textura atrás de um texto. É a que rende mais e a que quase ninguém produz.
Deixe respiro para o que vai por cima
No story, a interface come as bordas: o topo tem o seu perfil, a base tem o botão e o campo de resposta. Cerca de 15% da altura em cada extremidade é área de risco.
Então, quando a peça já nasce sabendo que vai levar texto, peça o assunto um pouco deslocado do centro e deixe uma faixa mais calma onde a legenda vai entrar — céu, água, um piso uniforme. Escrever sobre uma parte movimentada da imagem obriga a colocar uma tarja preta em cima do seu próprio projeto.
Resolução: onde ela realmente importa
Para tela, a resolução de saída já resolve. Ela passa a importar em dois lugares:
- Painel de stand e impresso grande, em que a imagem é vista de perto e ampliada muitas vezes;
- Recorte posterior, quando você vai tirar um pedaço da imagem para uma peça específica.
Nesses dois casos vale ampliar a imagem antes de mandar para a gráfica. Nos outros, é gasto sem retorno visível.
A regra que resume tudo
Uma imagem por canal, produzida no formato daquele canal — não uma imagem recortada em cinco pedaços. Parece mais trabalho, mas é o contrário: recortar mal gera retrabalho, peça fraca e, no fim, a mesma imagem repetida em todo lugar. Sobre esse último problema, e como sair dele quando todos os corretores receberam o mesmo material, há um artigo específico: como diferenciar o seu anúncio.